segunda-feira, 5 de maio de 2008

Não me peça para escrever




Não escrevo porquê me falta inspiração
porquê olho para a terra
para a vida que brota
para a lagarta que nasce
e não sinto nada...
Mentira!

Não escrevo porquê me sobra inspiração
porquê olho para a terra
para vida que brota
e sinto uma dor imensa no coração

Vejo a lagarta que nasce
e me entristece a fugacidade
de sua ingenuidade
a fugacidade
de sua liberdade
a fugacidade
de suas possibilidades:
de sentir suas asas nascerem
de voar sem saber pra quê
e de morrer sem ao menos compreender-se viva

Não escrevo porquê padeço
e padecendo não me pareço
com aquilo que desejo e muito parecer:
com a vida que brota
com a lagarta que nasce
com o belíssimo amanhecer!

Por isso não chore,
não me peça para escrever!

(FláviaTrigo)