Foto: Sebastião SalgadoAna amava demais. Amava Pedro, amava Carlos, amava João, amava Flora, amava Laura, amava Elis, amava Rogério e André. Ana amava com tamanha intensidade, que seu amor a corroía. Ana chorava. Amava as plantas; conversava com elas! Também os animais - não matava insetos. Ana sabia amar a todos. Ou não sabia, já que por todos sofria. Ana amava o planeta, e, por ele sangrava. Ana não comia carne e não gostava de arrancar os vegetais; ela também os amava!
Seus dias eram tristes, eram longas horas de dor. Ana chorava, se descabelava de tanto amor!
Ana sorria para todos; sua voz afável, seus gestos doces; queria fazer o bem – sempre. Muitas vezes não saía de casa por não ter condições de ser a pessoa especial que gostaria de ser, sem enxergar o quanto já era especial! Ana era tão doce, tão meiga...
... Tão doce, tão meiga; tão triste e tão distante... Ana acordava triste! E chorava ao ver o dia tão lindo e não conseguir digeri-lo! Ana recolhia-se triste; mergulhada em lágrimas que depois de hora, ajudavam-na a dormir – quentinhas -, entre seu rosto melancólico e o travesseiro. Ana dormia mal, comia mal, mas sempre sorria! Tinha sempre palavras necessárias na ponta da língua - necessárias para a manutenção da harmonia, da satisfação daqueles que amava (e eram tantos!).
Ana, pobre Ana...
Amando a todos, esqueceu-se de amar-se, entupiu-se de fantasias: tão coloridas; não saborosas, mas fortes o suficiente para fazê-la sonhar! Ana agora sonhava. Ana partia para o sonho, para as cores, para os cheiros, para sentir (enfim!) a leveza de tudo o que amava. Ana agora morria.
(Flávia Trigo)

9 comentários:
Olhei no espelho...... e vi Ana!
Não tão leve......
Mais sorrisos do que lágrimas....
Amo tanto!!!!
Amo tudo.. Amo todos....Tantas coisas.....tantas pessoas!!!
Mas não sou Ana..... sou Lili não vou morrer de tanto amar, vou é amar até morrer!
Amo Vc Flor! e esta pérola só podia vir de ti!
Palavras tão belas..... tão tristes e ao mesmo tempo de tantas cores!
Com certeza Ana morreu leve e feliz!
Beijinhos doces pra vc !!!!!!
Minha doce poeta...que belo conto...encantou-me, seduziu minh'alma...êxtase supremo! Teu canto pe belo como uma flor e traz a paz de um lírio.
Ontem fiz um acróstico para Ana, veja a coincidência!!!
ANA
A mar foi a tua escolha
Não um amor barato
Mas um amor que de fato
Entrega a vida ao irmão
N esta vida tão fugaz
Onde não se leva nada
Escolheste o melhor--
o caminho para PAZ!
A ssim, irmã Ana querida
Neste dia somente teu
Quero rogar a Deus
Chuva de graças em tua vida!
Benvinda Palma
beijos de luz amiga!
Flávia, não imagina como fiquei emocionada ao ler esse texto...Sou muito dessa Ana que ama e sofre...
Vê como não é coincidência o nosso encontro?
Quando eu iria imaginar de abrir o seu blog e encontrar esse texto maravilhoso que leva o meu nome?
Estou adorando tudo!!
Beijo,
Carinho,
Ana
Linda Ana, triste Ana, pobre Ana...
bjos
Paty
Que lindo texto!!! Eu me lembrei de Freud qdo estava lendo. Ele dizia que o amor deve ser dado somente às pessoas que merecem. Que o amor a todos não era interessante, pq nao seleciona! E Ana não selecionou a pessoa mais importante: ela mesma!
Bjos, flor
Todos os sentimentos passaram por aqui, por este seu texto. O maior de todos? O poder de amar.
Amei.....rs
beijo enorme
puxa...
essa ciranda de amores da qual a gente faz parte, muitas vezes sem perceber, ou sem saber.
É linda.
Texto muito bom, Flávinha!
Um beijo!
Amar demais é o quê?
É defeito?
De quê?
De fabricação?
De criação?
Como a gente desaprende?
Se arrepende?
Precisa nascer de novo?
E pra isso,
É preciso morrer?
Beijos,
Lindo texto, Flavinha!
Flávia, amiga minha,
Que bom retornar e encontrar esta leveza.
Encontrar com Ana.
E principalmente encontrar com Flávia!!
Sempre sensível!! Sempre poeta!!
Beijos de fã-amiga
Clau Assi
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