sábado, 29 de setembro de 2007

Conto de enganos


E assim acordou:

lágrimas secas
boca amarga
corpo suado e
envelhecido

E assim levantou-se:

não pensou em nada
não sorriu
não chorou
nem se deu bom-dia...

Foi para o banho
Lavou-se.
Mas a dor não saía

Vestiu-se com a camisa
mais bonita que tinha
Penteou-se, perfumou-se...

Fez uma mala
(Mal feita)

Abriu a porta
e se foi.

Não triste
tão estranho
como se nunca
tivera vivido
com a mãe de seus
filhos

– sua princesa
de enganos –


... E viveram felizes
para sempre.


( Flávia Trigo)

2 comentários:

Unknown disse...

Não gosto qd vc tá triste...=(

Paty

Anônimo disse...

Flor, minha amiga,
Quantas histórias de contos de fadas fadados a um final como este a gente conhece, não é mesmo?
Agora... você, minha poeta, você tem sensibilidade na alma... transforma tudo em poesia.
ADORO te ler, mesmo quando os poemas são tristes. Você é complexa e completa.
Beijos
Clau Assi