sexta-feira, 14 de setembro de 2007

A Dama

Sou muito
Sou nada
A fagulha que lhe escapa

Sou morna
Insossa
Beijo-lhe a boca
Como se nada fosse

Sou frígida
disfarço
Em gargalhadas
sórdidas
o maltrato


E no gargalo
da garrafa
amaldiçôo
o dia em que
o conheci

Cuspo do lado
o rancor bem guardado
Com doce sorriso
levanto-me
e parto.


(Flávia Trigo)

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