terça-feira, 17 de junho de 2008

Chão que é de pó

(VAN GOGH, Vincent)

Pés que pisam
chão que é de pó
o vento levando perfume
arranca até roupa
mas não estanca
a dor, o sangue
e o medo de estar só

(era uma tristeza tão grande
que os pensamentos perdidos
só faziam escurecer

era um misto de desilusões e mágoas
daquelas de emudecer

e do tempo, o que se esperava –
um dia de sol quente
com fortes braços de raios a envolver.

Eram noites
eram dias
na verdade, um tanto faz:
querer, sonhar e viver)

Pés que pisam
chão que é de pó
névoa que seca os olhos
que enterra os sonhos
num lugar tão profundo
em que o vento canta
mas não estanca
a dor, o sangue e o medo de estar só.


(Flávia trigo)

2 comentários:

POESIA CÁ E LÁ disse...

Flormiga minha,

Tua poesia é coisa maravilhosa. Irretocável!!!
Me esbaldo cada vez que venho aqui.

Beijos ternurentos

Clau Assi

Unknown disse...

Que coisa mais linda!!!~
Mais doce q doce de batata doce (já falei isso não foi? rsrs)
Adoro sua poesia...esse em especial eu me apaixonei...
Escreve mais q a Paty lê =)