terça-feira, 17 de junho de 2008

O esquecimento



Podia pintar-se de azul maravilha
que nada aconteceria
correr de um lado para o outro
que tanto faria
se cantaria Madonna sem noção
nem espaço
se encantaria crianças
imitando palhaço
se pularia cordas de aço
e não se machucaria
tanto, tanto faria!

Podia subir na mesa
com suas sandálias
estrategicamente desamarradas
cuspir na calçada, vestir-se de noiva
chorar esgoelada
que nada, nada mesmo importaria!

Podia dizer que o amava
beijar suas botas
amarrar as fantasias
engolir seco a poesia
desfalecer a euforia
podia isso
podia aquilo
que tanto, tanto faria!

Podia tudo
podia rindo
podia indo
e se arrastando
podia amando
e se odiando
e, contudo
só não podia o que mais queria:
dar vida ao sentimento que nele já não existia.


(Flávia trigo)

5 comentários:

Unknown disse...

Oi, Flavinha...
Lindo, lindo seu texto.
Acho que somos velhas conhecidas da ausência, de um amor que persiste sem existir...
Sempre muito bom ler seus poemas (sem contar as palavras tão doces e delicadas que dedica aos meus textos).
Amo sua essência, amo você.
Beijo!

POESIA CÁ E LÁ disse...

Flormiga minha,
Alguns versos calam em nossa alma. esse gritou com a minha.
Sem palavras pra ele!!
Cem adjetivos pra ele!!
Você é maga das palavras, teus poemas são dos mais humanos que conheço.

Beijos ternurentos
Adoro você

Clau Assi

Dalva Nascimento disse...

Oi, Flavinha...

gostei muito desses versos:

"Podia tudo
podia rindo
podia indo
e se arrastando
podia amando
e se odiando
e, contudo
só não podia o que mais queria:
dar vida ao sentimento que nele já não existia. "

Ô destino danado esse nosso, não?!?!... de ter que reinventar o amor todo santo dia...

Beijocas, querida...

Unknown disse...

MUNITA da minha vida...tu tá escrevendo de um jeitoooooooooooooo. Como eu sempre falo pro PG Delícia: "simplesmente DUCA"
=)

Paulo Castro disse...

Momentos de leitura do poema por mim:
1) Faz tempo que não leio a Flávia, deixe-me ver como é essa moça de poesia hoje.
2) Que porra de mulher maravilha é essa ?( Nesse instante, contraditoriamente, se acende em mim um lado criança, que ainda acredita em super-heróis e que ainda me mantém vivo por me acreditar um deles...)
3) O POEMA propriamente dito: aí a coisa pega e pega gostosa e coloca na boca e é puro véu atrás de véu: coisa de mulher, depois coisa de toda gente, depois o POP, depois o clássico, depois o GOZO QUE TUDO ROMPE, depois algo de divino com chifres, ou seja, um desvario quando a comunicação entre dois não dá mais conta do recado, abrindo pois espaço para o crime, o sexo, e/ou a poesia.
4) (Acende-se dentro de mim uma autora que a Flávia PRECISA IMEDIATAMENTE SÓ SE FOR AGORA PERE UM TÁXI PRA LIVRARIA, LER: Márcia Denser. Márcia Denser. Recomendo que comece por "Toda Prosa- Volume 2". Isso, vc vai entender depois, comece pelo DOIS ).
5) Flávia Denser. Márcia Trigo.
6) Estou aqui.
7) Eu ainda acredito em super-heróis, cabala poética, e mulheres do grelo duro na alma.
Beijos.
Com amor,
Paulo.
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