
Podia pintar-se de azul maravilha
que nada aconteceria
correr de um lado para o outro
que tanto faria
se cantaria Madonna sem noção
nem espaço
se encantaria crianças
imitando palhaço
se pularia cordas de aço
e não se machucaria
tanto, tanto faria!
Podia subir na mesa
com suas sandálias
estrategicamente desamarradas
cuspir na calçada, vestir-se de noiva
chorar esgoelada
que nada, nada mesmo importaria!
Podia dizer que o amava
beijar suas botas
amarrar as fantasias
engolir seco a poesia
desfalecer a euforia
podia isso
podia aquilo
que tanto, tanto faria!
Podia tudo
podia rindo
podia indo
e se arrastando
podia amando
e se odiando
e, contudo
só não podia o que mais queria:
dar vida ao sentimento que nele já não existia.
(Flávia trigo)

5 comentários:
Oi, Flavinha...
Lindo, lindo seu texto.
Acho que somos velhas conhecidas da ausência, de um amor que persiste sem existir...
Sempre muito bom ler seus poemas (sem contar as palavras tão doces e delicadas que dedica aos meus textos).
Amo sua essência, amo você.
Beijo!
Flormiga minha,
Alguns versos calam em nossa alma. esse gritou com a minha.
Sem palavras pra ele!!
Cem adjetivos pra ele!!
Você é maga das palavras, teus poemas são dos mais humanos que conheço.
Beijos ternurentos
Adoro você
Clau Assi
Oi, Flavinha...
gostei muito desses versos:
"Podia tudo
podia rindo
podia indo
e se arrastando
podia amando
e se odiando
e, contudo
só não podia o que mais queria:
dar vida ao sentimento que nele já não existia. "
Ô destino danado esse nosso, não?!?!... de ter que reinventar o amor todo santo dia...
Beijocas, querida...
MUNITA da minha vida...tu tá escrevendo de um jeitoooooooooooooo. Como eu sempre falo pro PG Delícia: "simplesmente DUCA"
=)
Momentos de leitura do poema por mim:
1) Faz tempo que não leio a Flávia, deixe-me ver como é essa moça de poesia hoje.
2) Que porra de mulher maravilha é essa ?( Nesse instante, contraditoriamente, se acende em mim um lado criança, que ainda acredita em super-heróis e que ainda me mantém vivo por me acreditar um deles...)
3) O POEMA propriamente dito: aí a coisa pega e pega gostosa e coloca na boca e é puro véu atrás de véu: coisa de mulher, depois coisa de toda gente, depois o POP, depois o clássico, depois o GOZO QUE TUDO ROMPE, depois algo de divino com chifres, ou seja, um desvario quando a comunicação entre dois não dá mais conta do recado, abrindo pois espaço para o crime, o sexo, e/ou a poesia.
4) (Acende-se dentro de mim uma autora que a Flávia PRECISA IMEDIATAMENTE SÓ SE FOR AGORA PERE UM TÁXI PRA LIVRARIA, LER: Márcia Denser. Márcia Denser. Recomendo que comece por "Toda Prosa- Volume 2". Isso, vc vai entender depois, comece pelo DOIS ).
5) Flávia Denser. Márcia Trigo.
6) Estou aqui.
7) Eu ainda acredito em super-heróis, cabala poética, e mulheres do grelo duro na alma.
Beijos.
Com amor,
Paulo.
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